
A construção da Praça Pedro de Alcântara Magalhães é
um dos acontecimentos ligados à vinda da Estrada de Ferro para Muzambinho, juntamente
com a construção do grupo escolar e do prédio da cadeia e fórum de Muzambinho.
Conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de
rara e agradável beleza, a praça transmite aos que ali passam a sensação de serem transportados no tempo. Os mais
observadores notarão um grande número de flores e árvores que já não se
encontram no restante da cidade. Os de espírito romântico certamente se
perguntarão onde estão os casais que ali namoravam em tempos remotos. É, sem
dúvida, uma agradável experiência sentar – se em baixo da antiga figueira e
observar seus imensos galhos sobre a praça. No entanto, é emocionante ouvir os
relatos dos antigos moradores sobre a beleza da praça, os passeios após a
sessão de cinema, os namoros que começaram e terminaram ali. A banda de música
Santa Cecília, que tocava aos domingos no antigo coreto. A visita do presidente
do Estado Antonio Carlos de Andrade quando esteve na cidade não teria sido
completa se o mesmo não tivesse passado por lá.
Iniciada por volta de 1.910 / 1.911 foi inaugurada no
dia 15 de agosto de 1.922 com missa campal e benção do bispo diocesano de
Guaxupé, Dom Ranulpho de Farias. Na ocasião estiveram presentes o presidente do Estado de Minas Gerais
eleito a presidência da República Dr. Arthur da Silva Bernardes, senador Raul
Soares eleito presidente do Estado de Minas Gerais, autoridades locais como o
Coronel Aristides Cecílio de Assis Coimbra, Coronel Augusto Luz, representantes
do clero regional Pe. João Baptista da Cruz, Frei
Florentino Brolmam, vigário da paróquia e a
população.
A praça foi inaugurada com o nome de Cristóvão
Colombo, passou a ser chamada Praça dos Andradas, em decorrência de vinda do
presidente do Estado Antonio Carlos Andradas, Getúlio Vargas, em homenagem ao
ex-presidente, voltou a ser chamada Praça dos Andradas na década de 1.980 e,
por fim, na década de 1.990 passou a ser chamada, através de decreto, de Praça
Pedro de Alcântara Magalhães em homenagem ao fundador da cidade.
As
obras ficaram sob responsabilidade de Francisco Leonardo Cerávolo,
mas foram muitos os que trabalharam no jardim.
“Com a vinda da Estrada de Ferro, veio
para Muzambinho o diretor da Mogiana, Pereira
Rebouças que fez o traçado do jardim. Ele doou as carrocinhas de burro para o
trabalho de terraplenagem, que foi feito à mão, com pás e enxadas. A fonte foi
feita por Pedro Riboli, pai do Goemy
Riboli”.(1)
“O jardim foi construído na mesma época
da cadeia e do grupo escolar. Quem idealizou foi o Coronel Aristides Coimbra e
o Dr. Américo Luz. O Francisco Leonardo Cerávolo era
responsável pelas construções, o meu pai, Nello Pulcineli, trabalhou nas três obras”.(2)
“O jardim era muito bonito, tinha um
pequeno zoológico, à tarde as moças passeavam com sombrinhas, a banda tocava
(...) era um tempo muito bom!” (3)
“O coreto era bem grande, bonito, tinha
a caixa d’água embaixo. Muito maior que este daí .” (4)
“Todo Domingo nós passeávamos no
jardim, as moças de um lado, os moços de outro, depois de casada eu e meu
marido costumávamos levar as crianças para ver os macaquinhos
que tinha lá. Dava nove horas fechavam os portões, aí os moços iam para o clube
recreativo.” (5)
O
conjunto arquitetônico da Praça é composto por um jardim com árvores de grande
porte, um coreto (feito na década de 1.970 em substituição ao antigo, que foi
demolido), um obelisco erigido no dia 03 de maio de 1.900 (em comemoração ao
quarto centenário do descobrimento
do Brasil) e o pedestal, onde havia um busto da princesa Isabel, inaugurado no
dia 07 de setembro de 1.922 (comemoração ao centenário da Independência do
Brasil).
______________________________________________________________
(1)
Gustavo Silva –
ex- fiscal de renda do Estado de Minas Gerais;
(2)
Emenergildo Puccinelli – construtor aposentado;
(3)
Maria das Dores
Cunha da Costa – ex – contadora da prefeitura (1.941/71)
(4)
Ana Bócoli Blanco – 80 anos, viuva de Elias Blanco que
trabalhou na construção da Praça Dom Pedro II e calçamento da Avenida Dr.
Américo Luz, entre outros;
(5)
Rosa Anderson,
76 anos.
INFORME ARTÍSTICO E ARQUITETÔNICO
ARQUITETURA/URBANISMO:
Obra
única em sua importância histórica, a praça tem como concepção uma arquitetura eclética
no seu conjunto. O traçado de seus canteiros, se considerar-mos
um eixo imaginário no centro longitudinal, cada metade é exatamente o espelho
da outra. Composta de 16 (dezesseis) canteiros de formas variadas, possuindo
quatro marcos arquitetônicos, sendo três deles no eixo longitudinal e um
próximo a sua área central. Sua topografia é levemente plana, possuindo pequeno
desnível no sentido longitudinal. Seus equipamentos são de vários períodos de
sua história como, por exemplo, os bancos, luminárias, Coreto e pavimento que
são modernos, o Obelisco que foi por assim dizer sua pedra fundamental, o
Chafariz erigido junto com a praça propriamente dita e o Monumento a
Independência erigido em 1922. O pavimento de sua calçada externa foi executado
utilizando mosaico português com desenhos ondulados.
ORNAMENTAÇÃO/PAISAGISMO:
Sua
ornamentação é basicamente o efeito estético resultante do contraste da
arquitetura de seus monumentos com relação à composição de seu deslumbrante
paisagismo, resultando neste harmonioso e aconchegante jardim. Na parte
paisagística temos excelentes espécies arbóreas como figueiras centenárias,
palmáceas, pinheiros, etc. Na arquitetura temos um chafariz de forma circular
formado por dois módulos, sendo um o tanque e outro central,
a fonte propriamente dita tendo em seu ápice o repuxo; um Coreto de forma octaedra; um pedestal do Monumento à Independência onde
originalmente havia o busto da Princesa Isabel e o Obelisco (apelidado
carinhosamente pelos munícipes de “Pirulito”) homenageando o IV Centenário do
Descobrimento do Brasil.
ACERVO FOTOGRÁFICO

F.01/02 –
VISTAS DO JARDIM DA DÉCADA DE 1920/30

F.03/04 – INAUGURAÇÃO E VISITA PRES. ANTÔNIO CARLOS

F.05/06 – JARDIM E CARRO DE BOI / ANTIGO CORETO E CAIXA
D’ÁGUA

F.07/08 –
VISTAS DO JARDIM NAS DÉCADAS DE 20/30

F.09 – OBELISCO E CORETO

F.10/11 – CORETO ATUAL E ALAMEDA CENTRAL

F.12 / 13 – CORETO E MONUMENTO À INDEPENDÊNCIA

F.14/15 – VISTA
INTERNA

F.16/17 – VISTA INTERNA E FONTE

F.18/19 –
VISTAS INTERNAS

F.20/21 –
PILARES DOS ANTIGOS PORTÕES

F.23/24 – NATAL ILUMINADO - 1998

F.23/24 – NATAL ILUMINADO - 1998
EQUIPE
TÉCNICA
FOTOS:
-
Luiz Ricardo Podestá;
-
Neide Barbosa
de Souza;
- Acervos particulares
/ fotos antigas / Irmãos Masotti e Sabá
PESQUISA
HISTÓRICA:
-
Neide Barbosa
de Souza – Historiadora (Faculdade
de Filosofia Ciências e Letras de Guaxupé – MG)
RELAÇÃO
PATRIMÔNIO HISTÓRICO:
-
Fernando Antonio Magalhães – Secretário de Cultura e Turismo de Muzambinho
-
Neide Barbosa
de Souza – Historiadora
- Luiz Ricardo Podestá – Arquiteto / Restaurador.
ANÁLISE,
DESCRIÇÃO E PLANTAS:
-
Luiz Ricardo Podestá –
Arquiteto / Restaurador (Universidade Brás Cubas – Arquitetura e Urbanismo –
Mogi das Cruzes - SP)
PLANTAS
BAIXAS E DE FACHADAS:
-
Luiz Ricardo Podestá –
Arquiteto / Restaurador (Universidade Brás Cubas – Arquitetura e Urbanismo –
Mogi das Cruzes - SP)
ORGANIZAÇÃO
E MONTAGEM FINAL DOS PROCESSOS:
-
Neide Barbosa
de Souza – Historiadora
-
Luiz Ricardo Podestá –
Arquiteto / Restaurador
-
Fernando
Antônio Magalhães - Secretario de
Cultura e Turismo de Muzambinho
