Furnas ameaça greve contra pressão do PMDB

 

A pressão do PMDB para trocar o comando da Fundação Real Grandeza, que gere um patrimônio de R$ 6,3 bilhões - em abril de 2008, eram R$ 7,2 bilhões - em recursos previdenciários dos trabalhadores e aposentados de Furnas Centrais Elétricas, pode provocar uma greve de grandes proporções na maior geradora de energia do País. Unidos aos aposentados, os funcionários da empresa, reunidos em 20 bases sindicais, são contrários à mudança no fundo de pensão, que deve ser proposta nesta quinta-feira em reunião extraordinária do conselho administrativo.

 

Estão programadas paralisações nesta quinta no Rio, em Minas e São Paulo, além de uma grande manifestação de funcionários e aposentados.

Apesar de o PMDB negar a pressão por mudanças, o presidente de Furnas, Carlos Nadalutti, distribuiu carta aos funcionários na última sexta-feira revelando a intenção de mudar a diretoria do fundo de pensão, sob alegação de que havia sido uma “orientação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão”.


Nesta quarta, segundo fontes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria chamado Lobão para “entender melhor a situação”. A informação não foi confirmada oficialmente pelo Planalto. A proposta de substituir a diretoria da fundação deverá ser apresentada pelo presidente do conselho, Victor Albano.

Na semana passada, durante protesto de funcionários, ele negou que levaria esta discussão adiante. Dois dias depois, mudou de ideia e convocou uma reunião informal só com os conselheiros indicados ao cargo (há outros três, eleitos pelos funcionários e aposentados) para anunciar que levaria o tema a votação. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

 

Desconfiança justifica troca em fundo de pensão

 

Em nota de esclarecimento publicada nesta quinta-feira na imprensa, sob a forma de informe publicitário, Furnas afirma que a proposta de troca dos atuais diretores da Fundação Real Grandeza, administradora do fundo de pensão dos aposentados da estatal, leva em conta o cenário de "dificuldades e de desconfiança no relacionamento com a Fundação" e visa "à preservação dos interesses das empresas e dos beneficiários" do fundo.

 

"Furnas solicitou, como patrocinadora, informações sobre o desempenho das aplicações financeiras da Fundação. No entanto, até o momento, passados dois meses do encerramento do exercício de 2008, a empresa não recebeu dados que comprovem os bons resultados da gestão da atual diretoria, que vêm sendo divulgados insistentemente pela entidade", diz a nota.

Furnas aponta ainda que é "fundamental" reconhecer que a saúde do fundo não é responsabilidade de pessoas específicas, mas sim "da total transparência de um processo deliberativo que obedeça aos princípios da equidade e da responsabilidade com a prestação de contas". Segundo a companhia, não existe interferência política "de qualquer natureza".

Na nota, Furnas reitera que, na condição de patrocinadora da fundação, junto com a Eletronuclear, tem a prerrogativa de nomear os integrantes do conselho deliberativo da entidade, ao qual cabe a nomeação do diretor-presidente e do diretor de Investimentos do fundo de pensão, cujas admissões podem ocorrer a qualquer momento.


"A atual diretoria-executiva da Fundação Real Grandeza, indicada em 2005 e comandada pelo ex-chefe de gabinete do presidente de Furnas da época, promoveu alteração no estatuto da entidade para prorrogar o seu mandato de três anos em um ano e dois meses, em caráter excepcional, com direito a recondução para mais um mandato de quatro anos. Essa mudança foi realizada de forma conturbada (...) o que levou a empresa a questionar tal processo junto à Secretaria de Previdência Complementar (SPC)", afirma Furnas.