Cafeicultores
formalizam pedido a Ministro da Agricultura
Escrito por
Assessoria de Comunicação | 24 Fevereiro 2010
Reinhold
Stephanes recebeu reivindicações para transformação das dívidas em CPR e
projeto de mecanização Lideranças da cafeicultura estiveram nesta
segunda-feira, 22, reunidos em Brasília com o ministro da Agricultura, Reinhold
Stephanes a fim de apresentarem proposta para melhorias na política do setor.
Os principais pedidos foram a transformação das dívidas em Cédulas de Produto
Rural (CPR) e a implantação do programa de mecanização da lavoura. A comissão
foi liderada pelo presidente da Cooparaiso e da Frente Parlamentar do Café,
deputado federal Carlos Melles, que apresentou o documento e discutiu as duas
necessidades mais urgentes de melhoria para os cafeicultores. “De uma maneira
geral o produtor brasileiro deve uma safra, alguns mais.
Um
caminho é transformar o que devemos em CPR´s. É uma medida inteligente, acaba
com o nosso estoque de dívidas”, disse Carlos Melles. Cédulas seriam emitidas
em nome do produtor devedor, avalizadas pelo Banco do Brasil e repassadas ao
Funcafé. A CPR é um título pelo qual o produtor se compromete a entregar
determinada mercadoria ao detentor da cédula. A proposta apresentada é uma nova
versão de uma reivindicação feita no ano passado pelo movimento SOS
Cafeicultura e que propunha a conversão de todas as dívidas financeiras dos
produtores (Funcafé e demais fontes do Crédito Rural) em produto físico (saca
de 60 kg de café) por um período de 20 anos, a um preço base de R$ 320,00/saca
para o café tipo 7; o pagamento seria feito pelo sistema equivalência-produto
(em sacas de café) correspondente a 5% da dívida financeira total ao ano, sem
juros, por 20 anos. A pauta incluía ainda a revisão do preço mínimo para o
café, atualmente em R$ 261,69/saca. Atualmente, segundo o presidente do CNC, o
montante total da dívida chega a R$ 6 bilhões. A segunda proposta traria a
redução do custo de produção com a mecanização da lavoura. A idéia é ter o
apoio de agentes financeiros para facilitar liberação linhas de crédito a fim
de que os trabalhadores pudessem adquirir derriçadores para prestarem serviço
na colheita, e que os próprios produtores pudessem ter suas máquinas. “Se
considerarmos o preço da saca de café em R$ 260, a colheita no processo manual
chega a representar até 40% do custo de produção. Na colheita semimecanizada,
por exemplo, o custo de produção é reduzido em torno de 30%, que pode ser
considerado o lucro que o produtor passará a ter, que ele não tem alcançado há
anos”, disse o pesquisador da Universidade da Lavras, Fábio Moreira, um dos
apoiadores do projeto. Na reunião com o Ministro os dois pontos foram
discutidos entre secretário Nacional de Produção e Agroenergia, Manoel Bertone;
o presidente do Conselho Nacional de Café, Gilson Ximenes; representante da
comissão do café do CNC, Breno Mesquita; presidentes de cooperativas, como
Maurício Miarelli (Cocapec), Carlos Paulino (Cooxupé); o vice-presidente da
Cooparaiso, José Fichina e outros representantes de outras instituições do
setor. Ainda não houve sinalização por parte do governo em atender tais
reivindicações, porém o Ministro prometeu estudar os pedidos. As propostas
foram elaboradas em reunião que aconteceu no dia 1º de fevereiro, na
Cooparaiso, com a presença de presidentes das cooperativas de café.
Projeto
prevê mecanização para ampliar renda do trabalhador e eficiência da colheita do
café
Escrito por
Assessoria de Comunicação | 22 Fevereiro 2010
O
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) já estuda a proposta
apresentada pelo presidente da Cooparaiso, deputado federal Carlos Melles
(DEM-MG) que propõe qualificar a mão-de-obra do trabalhador rural, que atua na
colheita de café através da mecanização. “A cafeicultura busca qualidade e
redução de custo através da colheita, por isso, nós estamos propondo este
projeto que visa a eficiência da colheita mecanizada através de derriçadores
manuais motorizados. Com isso o trabalhador vai poder fazer o seu rendimento
multiplicar por três ou quatro vezes, e consequentemente os seus ganhos também
crescerão”, comenta Melles, que preside a Frente Parlamentar do Café no
Congresso Nacional e adiantou que nos próximos dias irá procurar ampliar a
discussão sobre o tema com os sindicatos dos trabalhadores e dos produtores
rurais.
O
projeto foi apresentado ao secretario Nacional de Produção e Agroenergia,
Manoel Bertone, que o levou ao Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes para
liberação de linhas de financiamento que possibilitem ao trabalhador rural a
compra desses derriçadores. “Queremos que o governo seja o grande aliado e
parceiro no financiamento dessas máquinas com redução de todos os impostos – a
exemplo do que foi feito com a linha branca e com as motocicletas”, explicou
Carlos Melles.
A
Cooparaiso, nos últimos três anos, vendeu cerca de seis mil colhedeiras
manuais. O projeto prevê, só neste ano, colocar mais de 10 mil colhedeiras na
lavoura. Estima-se que em São Sebastião do Paraíso, na colheita de café,
estejam envolvidos mais de seis mil trabalhadores, somente na região de
abrangência da Cooperativa.
De
acordo com o professor da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Fábio Moreira,
um dos apoiadores do projeto, a mecanização é um fator de economia no custo de
produção é grande. “Se considerarmos o preço da saca de café em R$ 260, a
colheita no processo manual chega a representar até 40% do custo de produção. Na
colheita semimecanizada, por exemplo, o custo de produção é reduzido em torno
de 30%, que pode ser considerado o lucro que o produtor passará a ter, que ele
não tem alcançado há anos”, disse ele.
Para
Fábio Moreira a escassez de mão de obra também é um problema que vem se
agravando ano a ano. “A colheita do café coincide com a colheita da cana,
atraindo o trabalhador rural. Além disso programas como o PAC incrementaram o
trabalho no setor de construção civil, também sendo mais atarente para esse
trabalhador rural, que migrou para a cidade. Só no Sul de Minas seriam
necessários 310 mil trabalhadores, que não temos disponíveis, portanto a
mecanização é a alternativa do produtor”, finalizou ele.