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Prefeitos renovam confiança no Consórcio do Lixo

Prefeitos de quatro dos seis municípios que integram o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sócio Econômico e Ambiental (CONMOG) participaram de uma importante reunião na sede do Executivo de Muzambinho no último dia 09. O prefeito anfitrião Marco Regis recepcionou os colegas Dr. Sílvio Dias (Guaranésia), Ronaldo Teixeira (Monte Belo) e Cláudio Augusto Siqueira “Tatu” (Cabo Verde). A reunião também contou com a participarção do profissional Carmos Rossete (Secretário do Consórcio). Ainda integram o Consórcio os municípios de São Pedro da União e Arceburgo. Todo lixo recolhido nos seis municípios é levado para uma central em Guaranésia, onde a empresa LM (contratada pelo consórcio e de propriedade do Prof. Luiz Mário Queiroz de Lima) faz o seu tratamento e destinação final.
OBJETIVO DA REUNIÃO - O presidente do Consórcio, Dr. Sílvio Dias, esclareceu que a reunião aconteceu de maneira informal. Fazendo um relato, o prefeito de Guaranésia lembrou que a idéia do consórcio nasceu dentro do gabinete da deputada Maria Olívia no início de 2005. A partir de então, o consórcio buscou a forma legal e hoje está na fase de receber a licença de instalação pela FEAM - Fundação Estadual do Meio Ambiente. Até então, o consórcio atuou na remediação dos lixãos de Guaranésia, Arceburgo, Muzambinho e Cabo Verde. O aterro sanitário de Guaranésia está sendo compactado diariamente, tudo dentro da mais perfeita técnica. Obtendo a licença necessária será instalada a célula definitiva de tratamento, devendo receber a classificação Nº. 05. Ou seja, trata-se de um aterro que faz o tratamento de todo tipo de resíduo (sólido, líquido, gasoso e hospitalar).
Dr. Sílvio Dias ressaltou as dificuldades enfrentadas, até porque o lixo é produzido cada vez em quantidade maior. Mas ressaltou que o lixo, se tratado adequadamente, pode se tornar uma fonte de renda. Além disso, usando toda tecnologia disponível, não existe riscos do aterro causar qualquer contaminação na natureza.
PROJETO SEM VOLTA - Quanto à possibilidade de insucesso do projeto, a resposta do presidente do consórcio foi negativa. Até porque o projeto já avançou várias etapas. Além disso, os municípios participantes já fizeram um investimento considerável e a preocupação é cada vez maior com a manutenção do meio ambiente. Dr. Sílvio Dias ainda revelou que este é o único consórcio com seis municípios existente em Minas Gerais e talvez no Brasil. Vale lembrar ainda que o projeto prevê a utilização da matéria orgânica na produção de madeira branca, outra iniciativa que deverá gerar retornos financeiros importantes para o município.
ÔNUS POLÍTICO - Dr. Sílvio Dias revelou que existem críticas pelo fato de Guaranésia sediar a célula de tratamento. Mas salientou que isto ocorre por temeridade e ignorância dos fatos. Até porque na realidade o tratamento do lixo não oferece risco nenhum para o meio ambiente do município e seus habitantes. Por outro lado, será uma fonte de geração de renda no futuro. “Quem não investe, não colhe frutos. Realmente, agora temos mais ônus do que rendimentos. Mas alguém tem que começar e nós estamos inovando”, disse.
BENEFÍCIO FUTURO - O prefeito Marco Regis (Muzambinho) também destacou a importância da reunião. Revelou que a prefeitura local investe R$ 36.600,00 por mês no consórcio, devendo receber um ICMS Ecológico no valor em torno de R$ 32 mil quando estiver funcionando a célula definitiva em Guaranésia. O município já pagou 15 parcelas, das 21 previstas. O prefeito acrescentou que o projeto prevê a produção de madeira em sete anos através de árvores clonadas, dando o retorno financeiro esperado. Portanto, o trabalho é de longo prazo, que não irá dar frutos eleitorais aos prefeitos. Ao mesmo tempo, destacou a consciência ambiental dos prefeitos, que está acima das obrigações legais cobradas pelo Ministério Público e FEAM. Marco Regis ainda acrescentou que a empresa LM (contratada pelo consórcio) irá no futuro receber o chamado “crédito de carbono”. Fator este positivo para a região e para o país, pois o crédito de carbono poderá ser negociado com outros países que não têm mais condição de deter a emissão de gases poluentes.
O prefeito agradeceu a aprovação do projeto pelo poder Legislativo local. Desta forma, valorizando a participação dos vereadores nesta conquista.
CIÚMES DA AMOG - Marco Regis revelou que a AMOG - Associação dos Municípios da Micro Região da Baixa Mogiana, sentiu uma “ponta de ciúmes” do consórcio intermunicipal. O prefeito ressaltou que o consórcio é viável. A intenção agora é sensibilizar os prefeitos de São Pedro da União e Arceburgo para que continuem investindo no consórcio. Até porque já foram pagas muitas parcelas.
SITUAÇÃO EM CABO VERDE - O prefeito Cláudio Tatú afirmou que a situação do município é ainda mais avançada em comparação com os demais. O Executivo já assinou um Termo de Conduta junto ao Ministério Público. Além disso, um perito criminal de Belo Horizonte já esteve no município analisando a remediação do lixo. “O projeto é a bola da vez. Vai continuar porque está dando certo”, disse. Acrescentou ainda que o consórcio será uma fonte de renda para o município e muitas pessoas com o plantio da madeira branca. “Hoje estamos pagando para tratar o lixo, mas no futuro estaremos recebendo”, disse. Daí sua decisão de continuar firme na participação do consórcio, manifestando que outros prefeitos da região devem ser sensibilizados. Cláudio Tatú contou ainda que existe um trabalho de conscientização junto à população do seu município. Com isso, a comunidade tem a oportunidade de saber onde está sendo feito o investimento de R$ 24 mil/mês (valor da parcela paga ao consórcio). Para ele, o município está no caminho certo ao participar do consórcio. “Tudo que é novo gera desconfiança e inveja. Estamos arriscando e agindo com vontade política”, falou.
LIXO EM MONTE BELO - O prefeito Ronaldo Teixeira declarou com toda certeza que o consórcio é o caminho existente para a solução do problema do lixo de cada município. Lembrou a grande preocupação mundial com a preservação do meio ambiente. Por isto, acredita que o projeto não tem volta. Acredita que os próximos gestores não poderão deixar de dar continuidade a este trabalho que vislumbra uma maior segurança no tratamento adequado do lixo. “Acredito muito neste consórcio que irá gerar benefícios”, disse. Até porque o projeto está chamando à atenção do governo estadual, que deverá ajudar financeiramente os municípios. O prefeito destacou e valorizou a aprovação pelo Legislativo local para que o município participe do consórcio. Existia um problema do lixão que foi colocado em cima de uma cascalheira, gerando grandes prejuízos para a população no sentido da conservação das estradas. Diante dos benefícios previstos pelo consórcio, a liderança destacou novamente a consciência cidadã em relação ao meio ambiente.
VISÃO FUTURA - O Secretário Municipal do Meio Ambiente em Muzambinho, Dr. Carlos Prado Coimbra, afirmou que o consórcio é um momento histórico para a região. Aproveitou para parabenizar os prefeitos pela demonstração de visão a longo prazo. Até porque nenhum dos prefeitos irá colher o dividendo na eleição deste ano. Mesmo assim, todos tiveram a grandeza de entender que a comunidade precisa ser orientada a trabalhar a longo prazo. Destacou também o apoio da imprensa. O Secretário explicou que o consórcio não visa apenas o tratamento do lixo, mas atua também no “desenvolvimento regional”. Segundo ele, é um projeto inédito na região.

A Folha Regional - Edição 870 - 16/01/08


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