Secretário de Cultura responde críticas de
vereador
Na reunião do Legislativo de Muzambinho do dia 08 de
dezembro, o Secretário de Esportes, Lazer e Cultura apresentou correspondência
respondendo as críticas do Vereador José Roberto Del Vale ao 2º Festival
Cultura e Música de Muzambinho.
“É claro para
mim, como deve ser a qualquer cidadão, os direitos constitucionais fundamentais
de liberdade de expressão, ainda mais dos nossos parlamentares no seu
importante ofício. Portanto, de pronto afirmo que respeito em absoluto as
colocações do Vereador Del Vale, considerando-as como opiniões pessoais do
mesmo e apresento aqui minha contribuição para o diálogo democrático, livre,
mesmo porque tenho pelo Advogado e Vereador admiração pelo seu trabalho social
no amplo apoio a diversas entidades comunitárias.
Causou-me grande surpresa a forma com a qual o Dr. José
Roberto referiu-se ao 2º Festival. Surpreendeu-me suas opiniões, não por elas
em si, mas por tê-las exprimido em sessão do Legislativo e com publicidade
regional e para servirem de argumento para sua conclusão sobre a negatividade
do evento, que é o que concluo lendo suas declarações.
Ponderado como sei que o Vereador Del Vale é, acredito que
suas colocações tenham sido fruto da falta de sintonia com esta secretaria e a
organização do evento quanto aos detalhes de sua programação e preparativos
internos.
Ainda, permeou as colocações do Nobre Vereador e ex-colega
de Prefeitura a subjetividade sobre o que é ou não “cultura”, cuja definição é
tema debatido nos meios acadêmicos e de produção de eventos. O tema “cultura” é
interessantíssimo e seu aprofundamento, noutra ocasião, seria enriquecedor.
Dr. José Roberto questiona se a banda Ultraje A Rigor é ou
não “cultural”. A Antropologia, matéria das Ciências Sociais, define a cultura
como o depósito, a história, a prática das ações do ser humano vivendo em
sociedade, ou seja, cultura é a totalidade de padrões aprendidos e
desenvolvidos pelo homem, criando e transformando o presente em que vive.
Antropologicamente, então, toda ação produzida pelo homem e que cria padrões de
execução é cultura, um universo complexo que inclui conhecimento, moral,
costumes, leis, crenças, artes, aptidões, hábitos adquiridos pelo homem ao
longo da história.
A música é uma destas criações humanas, quando o homem
produz voluntariamente sons e os agrupa criando harmonias, melodias.
Aprofundando o tema “cultura”, encontramos o tema “arte”.
Dentre as ações humanas, verificamos aquelas mais específicas, com métodos mais
apurados em sua execução, buscando criar representação de um fato, uma
história, um sentimento, sempre sob óticas muito próprias, muito subjetivas. Ao
resultado destas ações chamamos, hoje, de “arte”, fruto do trabalho de um
“artista”. O “artista” é aquele que altera deliberadamente a Natureza,
adicionando à realidade os seus sentimentos. Vai muito além da simples técnica
de repetição para executar e o trabalho de um “artista” não tem compromisso com
a utilidade.
Como vimos, sendo a música uma criação humana tornada
padrão, podemos classificar toda música como “cultura”. Se o artista imprime a
esta música um ponto de vista ou um sentimento próprio, com métodos diferentes
de executá-la e com o objetivo de provocar reações em outra pessoa, podemos
dizer que a música é “arte”.
A Banda Ultraje A Rigor faz música, faz arte. Mas,
certamente não podemos dizer se é boa música ou não, se é boa arte ou não. É
cultura, é arte. Se gostamos ou não, é outra discussão inserida na liberdade de
cada um emitir opinião baseado em subjetividades, padrões morais, costumes,
hábitos.
O nobre Vereador Dr. José Roberto Del Vale afirma que o
evento não é para a “família” e sim para a “juventude”, como se isso
desqualificasse o Festival. Mas, pergunto: a juventude não é parte da família ?
Um dos objetivos do Festival talvez tenha sido oferecer shows para a família,
em especial àqueles seus membros que gostam de música brasileira, das décadas
de 1980 e 1990, do estilo denominado “pop/rock”. Neste sentido, os shows
foram para as famílias, independente da idade do público, desde que admirassem
o estilo musical citado.
E o objetivo foi alcançado com os shows das bandas Rosa de
Saron, Nasi, Ultraje a Rigor e do espetáculo Teatro Mágico, haja vista as
milhares de pessoas de todas as idades que compareceram e desfrutaram momentos
de entretenimento cultural com muita música e arte.
Outra surpresa que me causou as declarações do caro Dr. Del
Vale foi que ele referiu-se ao Festival apenas pelo show da Banda Ultraje A
Rigor e que pelo uso de bebidas e cigarros no local do evento o mesmo não foi para
a família. Disse o Vereador, ainda, que o Festival não é bom para a cidade.
A opinião de ser para a família ou não é altamente
subjetiva, portanto, é da liberdade de cada um concordar ou não com isso. Mas
dizer que o evento não é bom para a cidade é absolutamente questionável, senão
vejamos:
·
as oficinas de teatro, artesanato, fotografia e berimbau, que
tiveram a participação de centenas de crianças, jovens e adultos capacitando-os
profissionalmente ou despertando um olhar artístico, não foram boas para a
cidade ?
·
as sessões de Cinema na Rua, quando levamos dois filmes nacionais
para exibição nas noites de domingo, 23 até quarta-feira, dia 26, nos bairros
Vila Socialista, Alto do Anjo, Brejo Alegre e Barra Funda, assistidas por centenas
de crianças, jovens e adultos, não foram boas para a cidade ?
·
as duas apresentações teatrais nos dias 25 e 27 no Salão Nobre do
Colégio Estadual, assistidas por centenas de crianças da rede escolar, não
foram boas para a cidade ?
·
a possibilidade de assistir shows musicais, que gostemos ou não,
têm boa aceitação entre o público local, e isso gratuitamente, com segurança,
banheiros, serviços, policiamento, não é bom para a cidade ?
·
a extensa publicidade gerada para a cidade de Muzambinho, no
jornal regional A Folha Regional, nos estaduais Hoje em Dia e Estado de Minas,
na TV Globo regional EPTV de Varginha, nas páginas da internet Descubra Minas e
no principal portal de notícias da internet brasileira, o G1, da Globo, além
das rádios regionais e a distribuição do material publicitário em dezenas de
cidades. Esta enorme propaganda de Muzambinho não é boa para a cidade ?
Então, podemos afirmar que as oficinas, as sessões de
cinema, as peças de teatro, os shows gratuitos para milhares de cidadãos
muzambinhenses e toda a mídia para Muzambinho foram bons para a cidade.
Ressalto que meu objetivo aqui é apenas dialogar, e o faço
através de ofício à Presidência desta Casa, pois foi numa de suas reuniões que
o ex-colega de Prefeitura, Vereador Dr. José Roberto, expôs seu ponto-de-vista.
Já tive a oportunidade de trabalhar com o Dr. Del Vale, quando o mesmo dirigiu
o Departamento de Compras e depois foi Controlador-Geral da Prefeitura. Sempre
nos respeitamos e tivemos um relacionamento profissional muito positivo, com
diálogos construtivos e na busca de soluções. Aliás, a colaboração do Vereador,
quando na Prefeitura trabalhou, foi muito grande nas ações desta Secretaria.
Também trabalhamos junto na campanha das eleições 2008, quando atuamos juntos
como presidentes de partidos e levando a mensagem de nosso grupo político para
a cidade e zona rural. Dr. José Roberto foi uma referência para todos os
participantes da campanha.
Ainda sobre os benefícios para a cidade, questionado pelo
caro colega Dr. Del Vale, trago alguns dados.
Não há cidade auto-suficiente no comércio, indústria ou
serviços. Mesmo as grandes cidades têm que buscar produtos ou serviços em
outras cidades ou Estados.
Muzambinho não conta com fornecedores de palcos esféricos
para shows, grandes sistemas de iluminação, geradores elétricos e bandas com
trinta anos de carreira musical ou com destaque na mídia nacional. Não conta,
ainda, pois esperamos que venha a ter um dia. É natural, então, que estes
serviços sejam contratados fora daqui. Assim é no dia-a-dia de todos nós, com
diversas necessidades corriqueiras. Se a cidade não tem, é natural que se
busque fora, senão viraríamos uma ilha incomunicável.
As colocações do Vereador Dr. José Roberto causaram espanto
porque poderiam ter sido precedidas de informação. Vejamos: foram contratados
fora da cidade as bandas Rosa de Saron, Nasi, Ultraje A Rigor e Teatro Mágico;
o palco, o som do palco e a iluminação; o gerador elétrico; equipe de 20
seguranças de Poços de Caldas; a assessoria de imprensa; produtora Sra. Simone
Senra e o instrutor da oficina de fotografia, Paulimar Penna.
Mas de Muzambinho, muita gente trabalhou e teve renda com o
evento.
Foram contratados em Muzambinho, aqui em nossa cidade: os
shows da banda Jet Set ( o vocalista é daqui, filho do advogado, Dr. José Reis
), da dupla Lucas e Tiago e do DJ Bah.
Foram contratados em Muzambinho, aqui em nossa cidade:
- equipe de segurança e vigilantes;
- equipe de apoio para carga e descarga de equipamentos;
- equipe assistente de produção;
A publicidade foi contratada em Muzambinho. Vejamos: todo o serviço gráfico, com milhares de folders, panfletos,
centenas de cartazes; aqui também foram confeccionados os banners; o
profissional web-designer é daqui; duas rádios veicularam inserções; a
confecção de camisetas é de Muzambinho, assim como a empresa de out-doors.
A publicidade em jornal foi nA Folha Regional;
Da infra-estrutura, também são de Muzambinho;
- as tendas auxiliares e as grades de proteção;
- o som, o transporte e a montagem das sessões de cinema,
assim como das duas peças de teatro;
- o fornecedor de combustível para os carros da produção;
- os técnicos de manutenção elétrica e do parque de
exposições, são de Muzambinho;
- os pintores do parque de exposições e o material usado
para pintura, são de Muzambinho;
- as vans para transporte dos artistas são de Muzambinho.
Da rede de serviços de Muzambinho, posso citar que um hotel
inteiro foi alugado para a equipe dO Teatro Mágico; dois restaurantes serviram
a produção e a duas bandas inteiras; uma lanchonete serviu de lanches a Polícia
Militar, seguranças e Conselheiros Tutelares e produção. O principal vendedor
de lanches e o fornecedor de bebidas foram de Muzambinho, assim como quase
todos os barraqueiros presentes na parte de fora do parque.
Ou seja, o evento cria empregos temporários na cidade,
movimenta a economia.
Não bastasse, o criador do Festival Cultura e Música é
daqui, jovem jornalista que poderia levar o evento para onde quisesse, mas
escolheu sua terra para executá-lo, junto com sua família, oferecendo
entretenimento gratuito para milhares de pessoas.
O evento é bom para Muzambinho.
Sobre o consumo de bebidas e cigarros, o Vereador fez suas
considerações.
Antes de referir-me especificamente ao Festival, concordo
com as preocupações do Vereador Dr. José Roberto, uma vez que o consumo de
bebidas alcoólicas cresce cada vez mais entre os jovens e o tabagismo é
notoriamente pernicioso. Já tive oportunidade de conversar sobre o assunto em
outras ocasiões com o Dr. Del Vale. No entanto, sua venda é livre e legal.
O Vereador criticou o Festival e elogiou o Motocross, cujos
organizadores merecem todos os elogios pela iniciativa. Porém, em ambos os
eventos houve consumo de tabaco e bebidas alcoólicas. O mesmo acontece nos
bares, restaurantes, na lanchonete do Cristo Redentor. Por que só o Festival
foi criticado ?
Cumpre-me informar que o Conselho Tutelar esteve presente
todos os dias do evento, recebendo o apoio necessário, assim como a Polícia
Militar. Informo ainda, que os responsáveis pelas lanchonetes da parte interna
do parque assinaram termo de compromisso de não vender bebidas para menores,
iniciativa da organização do Festival que não acredito ter ocorrido em outros
eventos. Outra precaução tomada foi a revista realizada na entrada do público
no recinto, evitando a entrada de armas e objetos que pudessem ser utilizados
como tal. Segundo a PM, não houve ocorrências de violência relevantes.
Os cuidados foram tomados pela organização. Sabemos das
dificuldades das famílias para disciplinarem os jovens, mas já foge da alçada
de quem organiza os eventos, mesmo os públicos, promovidos pela Prefeitura.
Ressalto que a iniciativa de levar o evento para o Parque
de Exposições foi altamente elogiada pelo Comandante da PM, Tenente Silvano
Souza.
Finalizando, creio ter havido falta de sintonia entre o
Vereador Dr. Del Vale e a Secretaria de Esportes, Lazer e Cultura ou com o
próprio Thadeu Varoni, organizador do Festival.
Estou certo dos bons propósitos do Vereador, e, mais ainda,
estou certo de que meu posicionamento não se destina a polemizar o assunto, mas
trazer esclarecimentos necessários à Câmara dos Vereadores e ao público.
Resta-me afirmar que o evento é
bom para Muzambinho.”
O Secretário Nelson Damião manifestou para nossa redação,
as congratulações com o jornalista e promotor de eventos Thadeu Varoni que há
mais de 4 anos vem levando adiante seu projeto cultural, até que em 2007
conseguiu a aprovação do Ministério da Cultura e o patrocínio da Eletrobrás,
através do trabalho político do Prefeito Marco Regis e do Deputado Estadual
Sávio Souza Cruz, e da Cemig. Segundo Nelson, a determinação de Thadeu Varoni é
exemplo para todos os que têm um sonho e não desistem de realizá-lo. O
Secretário parabenizou ainda a família de Thadeu e sua esposa, Ana Flávia, pelo
trabalho incansável junto ao esposo e na execução de inúmeras tarefas para
produzir um evento de grande porte.
Carta encaminhada pelo autor ao Legislativo e lida na Reunião Ordinária do dia 08/12/2008.