Um vilarejo chamado Juréia...
Juréia, distrito de Monte Belo é
um pequeno povoado que conserva a boa hospitalidade interiorana e uma riqueza
histórica invejável. O pacato vilarejo atrai visitantes que buscam um local
sereno e tranqüilo para repousar o corpo acostumado ao stress da vida nas
grandes cidades. O distrito viveu seu auge entre os anos de 1938 e 1941,
período que ficou conhecido como a “época de ouro”. O comércio tinha muita
força graças à “Maria fumaça”, uma locomotiva da extinta Companhia Mogiana que
transportava passageiros e mercadorias, como cereais e sacas de café, além de
animais como porcos e gados. A linha direcionava Juréia ao interior e à Capital
Paulista, e também, à Capital Mineira. Juréia era antes denominada como
“Tuiuti”, nome este, dado por portugueses que lá viviam, é uma homenagem à
“Batalha do Tuiuti” ocorrida na Guerra do Paraguai. A riqueza do distrito não
se estendia somente ao famoso trecho ferroviário, mas também ao famoso rio
Muzambo, que era um atrativo a pescadores da região, já que os habitantes diziam
que ali era possível pescar dourados de até 20 kg.O Tuiuti começou a perder sua
potência com a construção de rodovias como a que ligou a cidade de Nova Resende
à Guaxupé, isso fez com que as mercadorias, antes transportadas pelos trens,
passassem a ser deslocadas por caminhões, e, as pessoas passassem a utilizar
outros veículos.
O distrito perdeu muito com o fim
da Companhia Mogiana em 10 de novembro de 1966.Coincidindo com o fim da
companhia ferroviária, surgiu a Polenghi, Empresa fabricante de queijo e
manteiga. A polenghi fechou as portas alguns anos depois devido a uma grande
enchente causada por uma “tromba d’água”, o desastre culminou com o fim da
fábrica que não teve condições financeiras de reconstruir os locais de
serviço.
Hoje, restou a tranqüilidade, as
histórias e as belas construções da época, dentre as quais podemos destacar uma
em especial.
RESIDÊNCIA COLONIAL - 120 anos de
História: Residência construída ao estilo colonial em 1890 pela família Deoti,
mais propriamente pelo senhor Luis Deoti, um engenheiro de primeira mão que no
Tuiuti resolvera fazer seu aconchego. A construção possui sete quartos, uma
cozinha, uma sala grande e uma garagem enorme. A obra tem cerca de 300m², e
está localizada em um terreno de aproximadamente 3000m².
O tão majestoso rio Muzambo,
famoso por ser fonte pesqueira aos moradores da região, além de cortar o
distrito, ainda “faz quintal” com a residência “Deoti”, o rio corre nos fundos
da casa a uma distância de 40 metros, essa proximidade com as águas torna o lugar
ainda mais magnífico e impressionante. Um longo paredão de pedras, logo abaixo
da calçada que dá acesso ao quintal, é mais uma das maravilhas.
A casa é uma das mais velhas do
distrito de Juréia. Na época em que o “Tuiuti” era uma das mais badaladas localidades
da região, a residência, antes fazenda, era conhecida como Vila Deoti e servia
como hotel ou simplesmente pouso a viajantes que por ali passavam. As “romarias
para a Aparecida do Norte” concentravam grande número de cavaleiros junto à
residência do Engenheiro e às pousadas. Ali eles deixavam seus cavalos e
pernoitavam, e, para isso pagavam cerca de mil réis. O Senhor Deoti, ainda,
alugava cavalos aos que não o possuíam para viagem.
A casa mostrou toda sua força
estrutural após uma grande enchente que ocorreu no distrito, e fez desabar
diversas edificações. A água, que, em muitas residências chegou ao telhado
avançou cerca de três metros na do engenheiro, inundando espaço pouco acima do
porão.
Após a morte de Luis Deoti, a
residência ficou para seu filho e em seguida para seu neto, José Augusto Deoti.
Por problemas financeiros os donos não puderam mantê-la e ela foi abandonada.
Vinte e dois anos foi o tempo que a residência teve como únicos moradores, o
mato, os pássaros, os morcegos, as aranhas, os insetos...
Em 2007, Antonio de Faria, um
marceneiro apaixonado por casas antigas resolveu fazer um investimento de
troca. Seu local de serviço (um barracão na cidade de Monte Belo) por aquele
tesouro abandonado em Juréia. Feito o negócio, seu irmão, João de Faria, também
admirador de tais construções, entrou como sócio-investidor para a restauração
da obra. Foram gastos, aproximadamente, segundo o atual proprietário, R$
50.000,00 (cinqüenta mil reais). Para os irmãos “Faria”, o principal na
“reconstrução” era preservar a fachada e toda a sua “imagem” de casa colonial.
Ao interior do imóvel, também foi dado um “toque especial”. Sua decoração
antiga, explícita nos móveis, quadros e outros objetos (como um toca disco de
80 anos) realçam o ambiente clássico pretendido pelos proprietários.
Hoje em dia, algumas pessoas
chegam a perguntar se o local é um museu, o que prova que a ideia de
conservação realmente surtiu efeito.
Algumas peças da mobília (cama,
cômoda, mesas e cadeiras) foram feitas pelo próprio senhor Antonio, que por
meio de seu talento no ofício da marcenaria, expõe o seu trabalho e encanta os
visitantes pela beleza dos mesmos.
A residência é, hoje, um atrativo
ao pequeno distrito de Juréia. Turistas que passam pelo local, ficam encantados
com a antiga “Vila Deoti”, e não resistindo à imponência e a magnitude daquele
local, vão até ele para mais do que olhar, retratar em fotografias, aquela que
seus olhos tanto admiram.
Fonte: A Folha Regional Especial - Edição 1001 - 21/08/2010